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Quando a maior influenciadora do Brasil vai ao congresso
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Quando a maior influenciadora do Brasil vai ao congresso

O peso da imagem na Era das Bets

Por Giovanna Toledo 04 de junho de 2025 2 min de leitura

A influência digital atravessou os muros do entretenimento e chegou ao Congresso.

A CPI das Apostas Esportivas escancarou um ponto que muita gente evita admitir: influenciar é exercer poder. E com poder, vem responsabilidade. No centro desse novo capítulo da história está Virginia Fonseca, uma das maiores figuras da internet brasileira. Sentada diante dos parlamentares, de moletom e expressão neutra, sua imagem dizia tanto quanto suas palavras. A escolha estética foi estratégica: despretensão calculada, postura de quem não pertence àquele ambiente, discurso implícito de "sou só uma influenciadora". Mas não era apenas uma questão de estilo. Era um posicionamento: invisibilizar a própria potência para driblar o peso da responsabilização.

Virgínia Fonseca durante depoimento na CPI das Bets, no Senado
Virgínia Fonseca durante depoimento na CPI das Bets, no Senado

Convocada após reportagem da revista Piauí expor seu contrato milionário com a Esportes da Sorte, Virginia se tornou pivô de um debate maior: o lucro com base na perda do público. O acordo previa R$ 50 milhões de adianto e comissão de 30% sobre o prejuízo dos apostadores que usassem seu link. Após encerrar o contrato, ela migrou para a Blaze com um novo acordo de R$ 29 milhões anuais. Tudo "dentro da lei". Mas nem tudo que é legal é ético. O momento mais absurdo da CPI? Um senador interrompendo a sessão para elogiar o pré-treino da influenciadora e pedir um vídeo para sua filha. O inquérito virou entretenimento. O centro da discussão foi banalizado.

Senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) pedindo uma selfie no meio da sessão.
Senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) pedindo uma selfie no meio da sessão.

Segundo o DataReportal, 6 em cada 10 jovens brasileiros confiam mais em influenciadores do que em especialistas. Isso revela uma crise: quem ocupa o lugar de autoridade cultural hoje? Quando o discurso publicitário se disfarça de lifestyle, o impacto emocional é profundo, difícil de regular e potencialmente danoso. O caminho não é censura. É maturidade coletiva. A Noruega proíbe influenciadores de anunciarem apostas. O Reino Unido exige alertas sobre riscos. O Brasil precisa entrar nesse debate. Criadores precisam entender: cada "link na bio" pode ser uma aposta emocional vendida como estilo de vida. Código ético não é restrição. É responsabilidade. Como fizemos com publicidade infantil, precisamos fazer com conteúdo de risco. Porque influenciar é, sim, impactar vidas. E ignorar isso é deixar o mercado ditar as regras de um jogo que deveria ser nosso.

Se você quer acompanhar os debates que moldam o futuro da influência digital no Brasil, siga com a gente. Aqui, a gente não se esconde atrás de um filtro.

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